Os 3 filósofos, não avaros do ouro, e o coleccionador 

O Paulo do Afinidades respondeu ao Quizz…

Como sou incapaz de beber qualquer álcool sem ficar entontecida e sonolenta, mas quero no entanto, beber do néctar dos filósofos, para ficar menos tonta e (não esperta, mas sim) desperta, vou ver se posso bater à porta deste conhecedor. É que ele tem um jeito especial de perceber a alma dos artistas! Muito ganha aqui o ”A Arte e Kalokagathia”, se ele gentilmente nos ceder permissão para destacarmos as suas profundas reflexões e postais que metem arte ! No último dentre eles, dizia ele assim…[degas5.jpg]

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O Coleccionador de Degas

… parti para uma lúgubre reflexão acerca do coleccionismo. Não versando a Arte, logo o Belo, em que medida a aplicação da curiosidade à acumulação de determinada categoria de objectos não acabará por substituir à inicial sofisticação informadora do propósito uma concentração atentatória da atenção ao Humano no seu todo, capaz de transformar em mania esterilizadora o que poderia ser pretexto para engrandecimento interior?

… o olhar, como a postura acabrunhada do “retratado”, excitaram a minha interpretação da negatividade que penso exalada desta visão do coleccionador. A própria forma como ele manipula objectos do seu passatempo se assemelha à clássica figuração do avarento com o ouro…

E concordamos que ”Degas era Grande”! Algures neste seu blog se encontra uma interpretação de um outro Degas que agora não consegui encontrar, com uma mulher a beber absinto.

A pergunta que eu queria colocar ao Paulo, é: qual a sua interpretação dos mistérios de Giorgione, começando pelos 3 filósofos?

Será que está relacionado com o que aqui é mencionado como os 3 Ouros?
Não serão estes 3 Ouros relacionados (de uma maneira que poderá ser complexa e não paralela), a um nível superior, com 3 níveis de Paraíso ou do Além? Estes são mencionados por Swedenborg, teoria que, pessoalmente, ouvi pela primeira vez do mormonismo, cujo fundador as incluiu ou possivelmente plagiou de Swedenborg (embora sem qualquer referência às suas leituras de Swedenborg, as quais estão provadas).

Assim, torna-se possível a seguinte interpretação:

O filósofo à direita representará o mundo celestial, aliás bem expresso nas folhas que segura, como que insinuando um movimento de algo que sai de dentro de si mesmo, revelando simultaneamente ser conhecimento só possível de comunicar aos iniciados e sábios. Ele tem o máximo conhecimento, do Céu, pelo menos, do que seja possível conhecer. O filósofo central representará o conhecimento do mundo intermédio, enquanto que o filósofo à esquerda, representará o mundo terreno, por isso está sentado na Terra, de esquadro em punho, e olhando o exterior, as rochas. O do meio tem até a mão (o único detalhe com um defeito) frisando o meio do corpo, onde se situam energias dormentes que esperam por elevação, algo abaixo da cintura; tem o olhar para baixo, como olhamos quando precisamos prescrutarmo-nos e conhecermo-nos a nós próprios e à nossa Alma.

Interessante é também o contraste com os vários quadros de Giorgone em que ele foca o coração, o que aqui não acontece.

Estão em frente à Aurora, tal como a Aurora espiritual do Homem, e o céu e luz ligam-se ao sábio à direita, com os seus desenhos dos Astros, dando portanto importância aos corpos celestes.

Também poderiam estar à porta da caverna de Platão… mas isso já duvido mais.